domingo, 24 de fevereiro de 2013

metamorfose ambulante




Hoje em dia tudo se inverteu: nerds eram odiados, hoje se tem disputa e auto-titulação. Homens com barba eram considerados mendigos, hoje a mulherada morre de amores. Ninguém gostava de ler. Café, só adultos gostavam. Beatles era coisa antiga. Ser bissexual era inaceitável. Vídeo-games eram aceitos só pra meninos. Quem gostava de anime era criança. Usar óculos quadrado era coisa de nerd, de velho. Hoje é tempo do tudo. tudo é aceito, tudo é correto. serei tudo, serei nada. tempo que você muda de gosto e opinião a cada 2 semanas. muda suas roupas, atitudes a cada 2 semanas. acho que Raul Seixas previa isso, e confirmava que preferia ser uma metamorfose ambulante. hoje é dia é tempo de metamorfoses.

-  karin Rippel

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Long-term plans

Hoje me perguntaram quais seriam os meus planos a longo prazo, e confesso que passaram milhões de coisas em minha mente, e em todas, você era o assunto principal.
Primeiro, pensei em passar a minha vida toda contigo, ter mais sábados chuvosos, envolvidos em cobertas, pipoca e amassos. Tardes de sol pra tomar aquela cerveja e rir com os amigos. Curtir a faculdade, mobiliar o nosso apartamento, ou casa, ou quem sabe um trailer? Comprar muitas almofadas e chocolate. Se for apartamento, quero um bem pequeno, pra dizer que é nosso cafofo. Decorar com muitas cores, pra demonstrar todo o nosso sentimento. Se for casa, quero um gramado enorme, quero cachorros, um ou dois gatos mimos, um casal de coelho bem fofinho, e talvez um panda. Quero que o nosso quarto seja repleto de amor, que façamos amor, adormecer em seus braços e acordar olhando os seus olhos verdes, que às vezes estão azuis, e te desejar um bom dia. Tomar café na cama, te sujar com brigadeiro. Nosso café não precisa ser necessariamente café e pão. Podemos deitar de novo, fazer amor de novo, dormir de novo. Podemos almoçar um miojo, no nosso caso, um pra mim e uns três pra você. Podemos passar a tarde vendo filmes, você me vendo chorar em cenas melodramáticas, como daquela vez em que o Dobby morreu no Harry Potter, ou podemos interromper, como muitas vezes, e nos distrairmos com coisas melhores. A noite poderíamos ir para o gramado brincar com os cachorros, os coelhos, os gatos e o meu panda, poderíamos deitar na rede, porque vai ter uma rede, e ficar observando as estrelas. Poderíamos tomar uma cerveja, fazer um churrasco, ou eu cozinho pra você, como eu sempre faço, e eu sei que você gosta. Poderíamos chamar nossos poucos amigos, que são os melhores. Nossa casa viveria cheia com eles. Poderíamos pedir aquela pizza gigante como sempre, com uma coca e noites de truco e video-game, ou você pode jogar lol, não me importaria. Podemos viajar pelo mundo todo, podemos viajar sem um tostão no bolso. Conhecer o Brasil, ir pra Las Vegas, acho que eu casaria lá, e você? Poderíamos fazer tatuagens, pintar as paredes do nosso cafofo, eu te sujaria de tinta, e você me sujaria o nariz, depois tomaríamos um banho juntos e está tudo resolvido. Podemos ter alguns filhos, não muitos, dois está bom. Quero uma menina e um menino, o que você acha? Vamos escolher os nomes mais bonitos. Nossa casa vai ser grande, vai ter muito espaço pros nossos filhos brincarem no gramado, com os cachorros, os mimos, os coelhos e o panda. Podemos ter mais bichos, quem sabe um tigre? Sei que você gosta deles. Esses são os meus planos a longo prazo, e os seus?


- karin Rippel

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013


“Um dia você conhecerá um cara que te chamará de linda. Primeiro de linda, depois de gostosa. Mas não é aquele cara que só chama de gostosa, tesuda e só quer trepar com você. Assim mesmo, trepar e tchau. Dá pra sacar quando um homem quer trepar e tchau. É fácil de detectar. Ok, se você quer trepar e tchau, então trepa e tchau. Eu estou falando de algo mais. Do que faz trepar e oi. Trepar e ficar. E ficar abraçado. E ficar conversando. E ficar sonhando junto. E ficar querendo ficar mais e mais (e trepar mais e mais?). Um cara que queira você como você é. Que você não precise impressionar. Que seja inteligente. Educado. Delicado. Na medida certa. Nem mais, nem menos. Que entenda seus momentos de fúria. Que ache você bonita mesmo descabelada. E suada. Que respeite seus momentos de raiva. Que saiba a hora exata de se abaixar para não ser atingido com algum objeto pontiagudo ou cortante. Que se importe com você. Que não goste de discutir, mas que escute todas as baboseiras malucas que você está a fim de falar. Que não seja chinelão demais, mas que não seja engomadinho demais. Que seja lindo. E cheiroso. E gostoso. Que fale de você para a mãe dele. Que diga que vai proteger você de animais selvagens como lagartixa, barata e sapos. Que não tenha medo de dizer que tem medo de algumas coisas. Que não fique dando uma de machão, ele pode ser fraco com você. Pode pedir ajuda pra você. Pode pedir conselhos pra você. E você dará com o maior prazer. Um dia você conhecerá um cara que fará você acreditar que vale a pena o esforço. Vale a pena alguma lágrima que cai. Vale a pena esperar por ele. Vale a pena sonhar, acordada ou não, com ele e com tudo que virá e com a forma que você quer que tudo seja. Aquele cara que conhece você. Que admira você. Que respeita você. Que tem intimidade com você. Liberdade. Que vai achar você linda mesmo que você não tenha passado um rímel sequer. Que você se sente à vontade pra andar na rua de qualquer jeito, nem que seja de calça jeans e havaianas e mesmo assim você estará a mulher mais maravilhosa do mundo. Que você não sinta vergonha de dizer “eu não sei”, pois ele vai te explicar o que você não sabe. Que ri dos seus risos. É solidário com seus receios. Que acha você idiota nos devaneios românticos. E que gosta da sua idiotice. E que gosta de você, mesmo você sendo uma grande chata de vez em quando. Que queira escutar as batidas que o seu coração dá. E queira andar com você de mãos dadas por aí… Pra qualquer lugar. E que, também, queira trepar muito com você.”



— Clarissa Corrêa.